
A doce mulher, já conhecida pela vizinhança, balança suavemente em sua cadeira de madeira.
Suas mãos repousam em seu colo, enquanto seus brilhantes olhos azuis fitam o nada. Ela sorri vagamente quando alguém que está de passagem a cumprimenta. De fato, ela parece acomodada, feliz, na espera do tempo, na espera de seu fim.
Outros a vêem ali e a ajudam com as tarefas diárias, mas ninguém é capaz de decifrar a expressão contida em seu rosto.
Ela, em tantos anos de aprendizado, sabe e veste uma máscara que abafa o que resta de sua voz.
Um casal passa, sorridente, e ela torna sua expressão vazia, nostálgica.
Seus olhos se voltam para a cadeira vazia ao seu lado e ela sendo uma dor diferente de todas as outras, saudade. O anel ainda em seu dedo cintila sob os raios alaranjados do pôr-do-sol.
Ela se questiona silenciosamente: Porque a vida precisava levá-lo antes?
Pela primeira vez em muito tempo, lágrimas preenchem seus olhos e caem por seu rosto. Ela se sente mal, sofre tanto quanto qualquer outra jovem sofre por amor... Senão ainda mais.
Sua mão passa a cobrir o lugar no qual seu coração protesta, batendo rapidamente. Ironicamente, ela está ainda mais viva do que em qualquer outro momento.
O sol começa a sumir no horizonte e logo a lua começa a surgir, ela fecha os olhos ainda com as mãos em seu coração, sussurrando: Quando eu morrer, eu vou morrer amando você.
Ela dá seu último suspiro enquanto a imagem do sorriso dele ainda preenche sua mente. Seu coração se fecha em um silêncio complexo e seu corpo perde a vida.
A lua agora brilha no céu e seu corpo entra em um descanso eterno naquele mesmo lugar de sempre.
Quando eu morrer, eu vou morrer amando você.








.jpg)

